Missão cumprida: Ires comemora retratação pública de família que acusou motorista surdo de tentativa de sequestro

No último mês, o Instituto Bilíngue de Qualificação e Referência em Surdez (Ires) acompanhou de perto o caso do motorista de aplicativo, Alexandre da Silva Alves, que é surdo e que foi acusado injustamente de tentativa de sequestro após realizar uma corrida para uma adolescente e duas crianças em Maceió. Recentemente, após todos os esclarecimentos, a família que acusou o condutor fez uma retratação pública sobre o caso. “Estou aqui mais uma vez pedindo perdão”, disse a mãe das crianças.

Ao tomar conhecimento da situação por meio da repercussão do caso nas redes sociais, o Ires se responsabilizou por auxiliar na comunicação e acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras) do condutor no início do caso, dando os encaminhamentos necessários após isso.

O caso

Segundo relatou Alexandre, durante o seu horário de trabalho, ele foi chamado para realizar o transporte de três menores de idade. Após se certificar que a adolescente e as duas crianças estavam seguras dentro do veículo, o condutor iniciou a corrida e seguiu o trajeto que levaria os passageiros ao seu destino selecionado e apontado pelo aplicativo.

No entanto, minutos depois, a luz no painel do carro indicou que a porta do veículo havia sido aberta. Assustado, Alexandre freou e olhou para os passageiros a tempo de ver que a adolescente, junto às crianças, saía apressadamente, sem sinalizar a ele o que havia ocorrido.

O acontecido havia ficado sem explicação para Alexandre até sua sobrinha ouvinte o procurar para informá-lo sobre as informações que estavam sendo compartilhadas nas redes sociais sobre ele e a corrida que ele tinha realizado.

Nathalia Alves, sobrinha de Alexandre, contou que ficou assustada quando teve acesso as informações que vinham sendo compartilhadas sobre o seu tio. Segundo ela, uma foto de Alexandre estava sendo divulgada junto a um áudio que o acusava de tentativa de sequestro.

Alexandre e sua família, então, buscaram a delegacia mais próxima para esclarecer os fatos e buscar informações sobre como proceder diante da grave acusação. Coincidentemente, no local, encontraram também a família das crianças que ele havia transportado antes.

Com o intermédio de sua sobrinha, fluente em Libras, Alexandre explicou sua versão do ocorrido, contando que é surdo e, inclusive, apresentando seu laudo médico para atestar a deficiência. De fato, havia acontecido um mal-entendido e uma grave falha de comunicação. Porém, mesmo após os esclarecimentos, a mãe das crianças decidiu seguir com a acusação de tentativa de sequestro.

Acompanhamento

Diante de toda a repercussão que o caso obteve nas redes sociais, o Ires tomou conhecimento do ocorrido e prestou acessibilidade em Libras para Alexandre, acompanhando o caso até o seu desfecho.

A equipe do Instituto composta pela psicóloga bilíngue e coordenadora do setor de Empregabilidade e Inclusão, Aline Trindade, e a intérprete de Libras, Andrea Morais, e a Assistente Social, Edjane Vasconcelos, foram o suporte necessário para Alexandre naquele momento de tensão e injustiça. A equipe se disponibilizou para ofertar o suporte psicológico, bem como orientações quanto aos direitos da pessoa surda, tudo isso em um ambiente confortável e acessível.

Após dias de acompanhamento e diversos esclarecimentos, a mãe das crianças percebeu que, de fato, toda a situação não passou de um infeliz mal-entendido e de uma grande falha de comunicação, levando-a a se retratar publicamente sobre o ocorrido.

“Estou aqui me reportando publicamente para pedir perdão ao seu Alexandre, o motorista do aplicativo 99, o qual houve um mal-entendido por falta de informação. Então, estou aqui mais uma vez pedindo perdão”, disse Adriana, mãe das crianças.

Mesmo diante dos fatos esclarecidos, o Ires lamenta profundamente o episódio, reforçando que se manterá atento e ativo na defesa, proteção, apoio e visibilidade da comunidade surda.

10/08/2020

Fonte: Ascom AAPPE/Ires