Na próxima sexta-feira, dia 24 de abril, quando o país marca o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma realidade ainda pouco visível ganha força em Alagoas: o acesso limitado de crianças surdas à educação e à comunicação desde os primeiros anos de vida.
Embora o Brasil tenha cerca de 2,6 milhões de pessoas surdas, o desafio começa na base. No estado, estima-se que apenas 8% das crianças surdas estejam inseridas no ambiente escolar, um dado que evidencia um cenário de exclusão e atraso no desenvolvimento educacional e social.
A Libras, reconhecida por lei como meio oficial de comunicação da comunidade surda, é mais do que uma ferramenta: é o que garante acesso ao aprendizado, à autonomia e à cidadania. Sem ela, milhares de crianças crescem com barreiras que impactam toda a vida.
É nesse contexto que o Instituto Bilíngue de Qualificação e Referência em Surdez (IRES), mantido pela Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais (AAPPE), se consolida como referência em inclusão, atuando diretamente na educação e no desenvolvimento de pessoas com deficiência em Alagoas.
Um dos principais diferenciais da instituição é valorizar o protagonismo de quem vive essa realidade.
Entre os destaques estão profissionais que transformam a educação a partir da própria experiência, como a pedagoga surda Isabel Alvim e a professora de Educação Física Larissa Oliveira. Profissionais Reconhecidas, elas representam uma geração que rompe barreiras e ocupa espaços com autonomia, conhecimento e atuação ativa na sociedade.
“A Libras é a nossa voz, nossa identidade. Quando temos acesso à nossa língua desde cedo, conseguimos aprender, nos desenvolver e ocupar nosso lugar no mundo”, afirma Isabel.
Além da atuação cotidiana, o IRES também desenvolve um projeto estruturante que pode mudar esse cenário: a implantação de uma creche bilíngue (Libras e português), voltada para o atendimento de crianças surdas na primeira infância.
A proposta busca garantir acesso precoce à linguagem, estímulo cognitivo adequado e inclusão educacional desde os primeiros anos, etapa considerada decisiva para o desenvolvimento. Hoje, a ausência desse suporte é um dos principais fatores que contribuem para a exclusão escolar.
“Quando a criança surda não tem acesso à Libras no início da vida, ela perde oportunidades fundamentais de desenvolvimento. A creche bilíngue é sobre garantir futuro, autonomia e dignidade”, reforça a professora Isabel Alvim.
Mais do que uma pauta de conscientização, a data acende um alerta sobre a urgência de políticas públicas e iniciativas que ampliem o acesso à educação inclusiva. Ao mesmo tempo, evidencia que já existem caminhos possíveis — e que precisam de apoio para avançar.
“Em Alagoas, experiências como a do IRES mostram que inclusão de verdade não é discurso, mas prática diária. E que dar visibilidade a essas iniciativas é um passo essencial para transformar realidades”, reforçou Isabel.
